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sábado, 3 de maio de 2008

O futuro cravo

Há 34 anos, no mês das águas mil, deu-se em Portugal uma revolução que iria modificar plenamente a vida das gerações futuras. Numa sociedade contemporânea, como era possível estar-se a assistir a prisões, censuras, opressões e invasões de privacidade? Consciente das injustiças em que vivia, a população adoptou uma atitude de intrepidez para a época histórica em questão: provocou a queda de um regime ditatorial. Um regime ditatorial é violento e inaceitável nos dias que correm. Mas, devido ao estado desequilibrado em que se encontra o nosso país, muitas pessoas crêem que esse regime, actualmente, iria operar de melhor forma. Será que estas ditas pessoas não entendem a importância da liberdade que agora lhes é concedida? Uma sociedade em que nos é possível expressar a opinião sobre diversos assuntos, asseverar o que achamos correcto ou incorrecto, reunirmo-nos sem a presença de indivíduos alheios com o cargo de vigilantes… O povo merece estes direitos. Sem liberdade seríamos nada mais que objectos finais de uma produção em série. O ser humano é-o devido à liberdade que possui para se construir.

domingo, 27 de abril de 2008

Uma letra para a canção

Eu preferia trazer-te uma parte minha
contar-te as mais magnificentes aventuras alcançadas
tentava deixar-te uma alegórica campainha
que este poema é de maravilhas criadas.

Mas não há fé não há tempo não há verdade
para este dogma para esta questão.
Como dizer uma musa sem liberdade?
Minha alma confiou. E também o coração.

Cessar por ti é um livro que não leio
que não há prato fé para este pão
não há milho nem centeio
não há letra, não há letra para a canção.

Não há queda nem ascensão, não há voo
não há ninguém para tecer esta blusa.
Cessar por ti é um livro que não entoo.
Que há uma questão sem verdade. E eu sem uma musa.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Suposto ambiente de aprendizagem...

A violência é, infelizmente, comum no quotidiano das sociedades.
Um local que presencia tal inadmissível acto é a escola. Nela convivem diferentes faixas etárias e culturais. Estas diferenças originam opiniões distintas e, consequentemente, irascíveis conflitos.
Não deveria assistir-se a outra atitude num espaço de formação?
As condutas dos docentes e não-docentes variam consoante as situações. O necessário respeito nem sempre se pratica. A impercepção da importância do local é uma das razões. É a educação adquirida que influencia o comportamento dos alunos. Professores e funcionários agridem como defesa, sabendo que é incorrecto. É indispensável promover uma afável relação dentro da comunidade escolar. Só assim é possível modelar um cidadão instruído e responsável.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Opinião (im)pessoal

A capacidade de pensar, opinar e reflectir é própria do ser humano. Este rege-se pelos valores da comunidade em que está inserido e são estes valores os factores principais que criam a opinião pessoal.
A evolução da comunidade cooperou no aparecimento de novos meios de comunicação: televisão, rádio, Internet…
Hoje em dia, todos os cidadãos que dificilmente “sobrevivem” sem uma televisão ou computador, usam-nos para o seu próprio entretenimento. Mas estas duas tecnologias para além de entreter, também informam, e por vezes, fazem-no em demasia.
A quantidade de informação bombardeada aos cidadãos pelos mass media de tal modo exagerada que tem o poder de influenciar ou até transformar a sua opinião. Um indivíduo que discorda com a legalidade do aborto é de certa forma submetido a notícias sobre as suas vantagens e benefícios que começa a reflectir sobre a sua opinião por se deparar com tais factores todos os dias. Talvez isto não aconteça tanto com os idosos. Estes estão aprisionados ao antigo, estagnados numa era “arcaica” (não se apercebendo daquilo que os rodeia); já as crianças e os adolescentes vivem num mundo tecnológico. Um mundo que cada vez mais causa uma certa dependência neles. Por causa dessa sua íntima relação com a tecnologia, os mais novos são os “escravos” dos mass media que se aproveitam deles para fazer passar as suas ideias de uniformização de cultura.
Se o ser humano tem capacidade para reflectir e avaliar por si próprio, porque se deixa levar por estas superáveis exigências?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

No meio do mundo perdulário

Sincronizando um mundo perdulário
Sob a Guia ele o escuta,
Melodiosas letras que soam
No exaustivo compasso
Em que a sua voz se faz ler.
Ensaia as ofensivas cordas
Motivadas pela perpétua aspiração
Durante um sopro vital
E uma voluptuosa loucura.
Entoa a sua vida,
Percorrendo o valioso caminho
Em que deleitamente canta o prazer
E sente a pauta cativante
Aquela que o faz sincronizar o mundo.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Poesis

Poesia é…
Uma canção sem instrumental…
Uma discussão entre Camões, Florbela Espanca e Manuel Alegre…
Um sonho de rimas acordadas…
Um jardim onde os sentimentos brotam…
Uma pista onde a criatividade desliza…
A profunda alma da aldeã mais bela de um reino…
Uma melodia que encanta as mais perigosas serpentes…
Uma fresca sobremesa após uma ceia de gramática pragmática…
Um mundo de versos livres…

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Florbela Espanca

Florbela Espanca, escritora simbolista portuguesa, nasceu a 8 de Dezembro de 1894, em Vila Viçosa.
Com sete anos de idade e a frequentar o ensino primário, Florbela escreve a sua primeira poesia “A Vida e a Morte” e o seu primeiro soneto. Em 1906, no sexto ano de escolaridade, escreve o seu primeiro conto “Mamã!” e começam a notar-se os primeiros sinais de neurastenia. Prosseguiu os seus estudos em Évora, onde viveu depois da sua mãe ter morrido.
Já em 1914, juntamente com o seu marido, Florbela abre um colégio onde lecciona e recita, pela primeira vez, os seus versos em publico. Termina “Trocando olhares”, vê um dos seus sonetos ser publicado numa revista e colabora no jornal “Noticias de Évora”.
Inscreve-se em 1917 na Faculdade de Direito de Lisboa, mas devido a um aborto involuntário foi para o Algarve onde os primeiros sintomas graves da sua doença aparecem.
De volta a Lisboa, escreve “Livro de Mágoas” (editado em 1919) e “Claustro das Quimeras” enquanto rodopia entre relações amorosas, e em 1923 vê publicado “Livro de Soror Saudade”. Dois anos depois, em que começa a escrever “O Dominó Preto” e a fazer traduções, morre o seu irmão, o que a deixa muito infeliz, servindo de inspiração para “As máscaras do Destino”. Neste período, Florbela tenta suicidar-se, também pelo seu casamento desgastado.
De novo em Évora, em 1930, Florbela escreve o seu “Diário do último ano”, colabora em revistas e conhece Guido Battelli que se ofereceu para publicar “Charneca em Flor” e que será um seguidor fiel de Florbela Espanca após a sua morte.
Muda-se para Matosinhos onde a neurose se agrava e descobre que tem um edema pulmonar. A 8 de Dezembro decide pôr termo à vida.
Nos poemas de Florbela Espanca é notável a forma como ela expõe tão profundamente a intimidade feminina. Florbela junta os sentimentos optimistas com os pessimistas de uma forma quase impossível de ser vivida na realidade.