THOUSANDS OF FREE BLOGGER TEMPLATES ?

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

"Os nossos olhos são diferentes todos os dias"

Os nossos olhos são diferentes todos os dias. A diferença reside no que observam, ou seja, aquilo a que os expomos. Sujeitamos os nossos olhos às coisas mais fantásticas, mais extraordinárias, como também lhes desvendamos barbaridades e catástrofes. Este turbilhão de contradições e emoções fá-los sentir experiências únicas todos os dias, a cada segundo que passa.
Meus caros, e encontramos algo que nos consome, que nos deslumbra. O globo ocular é incapaz de resistir a tal. Esquece tudo o resto e apenas aquele fascínio paira. No momento seguinte? Qualquer atrocidade rouba este protagonismo e ocupa a nossa visão.
Durante a nossa vida e conforme a nossa actividade, subordinamos os nossos olhos a uma rotina. Eles assistem às mesmas coisas todos os dias. Plena mentira! Os nossos olhos estão aptos a pormenorizar qualquer panorama. O que num dia tenha captado a atenção, no seguinte estará esquecido. Estará esquecido devido a um novo detalhe. Um novo detalhe mais cativante que o anterior.
Então e os cegos? Os seus olhos são diferentes todos os dias? São, claro que são. Toda a circunstância tem um significado. Não excluamos a escuridão.
Os nossos olhos vêem o que sentimos e esforçam-se por ver o que queremos sentir.

sábado, 27 de setembro de 2008

Fernando Pessoa. Publicitário?

- Primeiro estranha-se. Depois entranha-se.

- Uma cinta Pompadour; veste bem e ajuda sempre a vestir bem.


Fernando Pessoa ligou-se à publicidade nos últimos dez anos da sua vida. Desenvolveu o seu espírito de redactor publicitário porque cria que devia estudar-se o público primeiramente e, só depois, proceder à elaboração dos anúncios. Pessoa entendia, e bem, a importância da publicidade para o sector do comércio. Estava de tal modo empenhado nesta actividade e na sua teorização que para além de compor anúncios, também criou novas formas de publicidade, entre elas, “Advertising Crosswords” (em português, palavras cruzadas publicitárias. Para reforçar ainda mais o seu papel na publicidade em Portugal, admite-se que foi Fernando Pessoa que enunciou o conceito de “marketing” desconhecido na altura. O escritor construiu, entre outros, os dois slogans acima citados para os anúncios de imprensa.

domingo, 21 de setembro de 2008

Missão abortada

A Francisca era uma adolescente colossalmente anti-social e introvertida.
Eu e o Duarte juntámo-nos a ela para um trabalho escolar e, tal como ela preferiu, combinámos fazê-lo em sua casa.
Senti uma certa suspeição quando entrei no quarto. Um quarto enigmático. E simples. Demasiado simples. Nem um único elemento de decoração.
Este facto aliado ao mistério que envolvia a vida da Francisca, fez-nos crer que algo descomunal decorria.
Os policiais sempre me fascinaram. Descobrir o que a Francisca encobria seria fantástico.
Passámos a seguir a Francisca durante os tempos lectivos. Mas ela agia de forma normal! Porque razão nos intrigava tanto o seu quarto?
Obviamente, a Francisca vivia para além da escola. Começámos a espiá-la em horário pós-escolar por todo o lado. Ainda não descobrindo nada, mas com a desconfiança elevada, abdicámos da vida própria para a perseguir também nos “dias inúteis”. Concluindo, estávamos todo o santo dia “com” a Francisca. Desde o acordar do sol até ao seu deitar.
Uma semana sucedeu e nada nos veio ao pensamento! Finalmente, ocorreu-nos a evidência. Era com a lua que a Francisca mantinha um segredo.
Por três vezes estivemos na escuridão na esperança. À quarta vez, ouvimos um murmúrio nas traseiras da casa da Francisca. Corremos silenciosamente. Sim, era a Francisca! Mas onde iria a rapariga naquele momento?
A Francisca carregava duas mochilas e vestia um fato singularmente esquisito, mas que aparentava confortabilidade.
A Francisca iniciou uma acelerada corrida até ao fundo da rua onde apanhou um táxi. O táxi com direcção à ponte de saída da cidade. Ambos calçámos os fiéis patins e seguimos a viatura entre atalhos.
Na ponte, já um grande carro a esperava. A Francisca apanharia boleia daquele luxuoso carro. Como poderíamos continuar a perseguição digna de filme?
Convencemos o taxista “da” Francisca a acossar o automóvel que a tomara.
Após duas horas de plena e empolgante perseguição, uma dura viagem para ambos os automóveis devido ao mau estado em que se encontrava a via, aproximámo-nos de uma fábrica bem escondida num extenso arvoredo a uma mínima distância da auto-estrada.
Estávamos como que perdidos, porém, tínhamos a convicção de que era naquele momento obscuro que a verdade iria emergir.
Entrámos na fábrica sorrateiramente logo atrás da Francisca e de dois altos e fortes indivíduos, aparentemente trintanários, que a acompanhavam.
Qual o nosso enleio quando nos apercebemos do assunto da conversa entre aqueles três - a Francisca fora escolhida para roubar umas recentes descobertas químicas. Descobertas estas que iriam revolucionar o mundo farmacêutico e cuja venda renderia muito.
Sobrevimos o grupo negro e escondemo-nos por detrás de um biombo no qual estavam afixadas as normas do laboratório.
Fulano e sicrano prepararam os equipamentos e contaram com os movimentos de ginasta da Francisca (sim, ela e a mãe eram incríveis ginastas, com uma certa notoriedade) para a fazer atravessar os pontos de alarme sem que fosse reconhecida a sua presença.
A rapariga já tinha percorrido metade do caminho quando o seu cansaço se começou a fazer sentir. Os homens encorajavam-na, já que aquele roubo ia fazer o trio mais rico e supostamente mais feliz…
Pouco tempo depois, já a Francisca se queixava audívelmente. O seu leve e franzino corpo estava dorido.
A Francisca desequilibrou-se e caiu ao chão.
Assim que os dois gigantes se aperceberam do sucedido, ao ouvir o alarme soar, desapareceram num estalar de dedos, deixando para trás a jovem e magoada Francisca.
A polícia iria chegar… iria apanhar a Francisca… e consequentemente a nós!
O nosso egoísmo falou mais alto. Escoámo-nos dali em direcção à auto-estrada. Tudo o que mais desejávamos era abandonar aquele medonho lugar.
Telefonei, então, à minha mãe que veio buscar-nos num ápice, exigindo explicações. Expliquei… mas nunca a verdade!
E desde então nunca mais se viu a Francisca.

Meses mais tarde, veio a saber-se que a Francisca fora presa numa remota cadeia. Aquele não tinha sido o primeiro roubo em que ela participava… Seria o último?






segunda-feira, 2 de junho de 2008

"A Correspondência de Fradique Mendes" de Eça de Queirós

“As coisas mais deliciosas de Portugal, o lombo de porco, a vitella de Lafões, os legumes, os doces, os vinhos, degeneraram, insipidaram ... Desde quando? Pelo que dizem os velhos, degeneraram desde o Constitucionalismo e o Parlamentarismo. Depois d’esses enxertos funestos no velho tronco lusitano, os fructos têm perdido o sabor, como os homens têm perdido o caracter...”

“A saudade do velho Portugal era n’elle constante: e considerava que, por ter perdido esse typo de civilisação intensamente original, o mundo ficára diminuido.”

“Por isso Fradique em Portugal amava sobretudo o povo - o povo que não mudou, como não muda a Natureza que o envolve e lhe communica os seus caracteres graves e dôces. Amava-o pelas suas qualidades, e também pelos seus defeitos: - pela sua morosa paciencia de boi manso; pela alegria idyllica que lhe poetiza o trabalho; pela calma acquiescencia à vassallagem com que depois do Senhor Rei venera o Senhor Governo ; pela sua doçura amaviosa e naturalista; pelo seu catholicismo pagão, e carinho fiel aos Deuses latinos, tornados santos calendares; pelos seus trajes, pelos seus cantos... «Amava-o ainda (diz elle) pela sua linguagem tão bronca e pobre, mas a unica em Portugal onde se não sente odiosamente a influencia do Lamartinismo ou das Sebentas de Direito Público».”

sábado, 3 de maio de 2008

O futuro cravo

Há 34 anos, no mês das águas mil, deu-se em Portugal uma revolução que iria modificar plenamente a vida das gerações futuras. Numa sociedade contemporânea, como era possível estar-se a assistir a prisões, censuras, opressões e invasões de privacidade? Consciente das injustiças em que vivia, a população adoptou uma atitude de intrepidez para a época histórica em questão: provocou a queda de um regime ditatorial. Um regime ditatorial é violento e inaceitável nos dias que correm. Mas, devido ao estado desequilibrado em que se encontra o nosso país, muitas pessoas crêem que esse regime, actualmente, iria operar de melhor forma. Será que estas ditas pessoas não entendem a importância da liberdade que agora lhes é concedida? Uma sociedade em que nos é possível expressar a opinião sobre diversos assuntos, asseverar o que achamos correcto ou incorrecto, reunirmo-nos sem a presença de indivíduos alheios com o cargo de vigilantes… O povo merece estes direitos. Sem liberdade seríamos nada mais que objectos finais de uma produção em série. O ser humano é-o devido à liberdade que possui para se construir.

domingo, 27 de abril de 2008

Uma letra para a canção

Eu preferia trazer-te uma parte minha
contar-te as mais magnificentes aventuras alcançadas
tentava deixar-te uma alegórica campainha
que este poema é de maravilhas criadas.

Mas não há fé não há tempo não há verdade
para este dogma para esta questão.
Como dizer uma musa sem liberdade?
Minha alma confiou. E também o coração.

Cessar por ti é um livro que não leio
que não há prato fé para este pão
não há milho nem centeio
não há letra, não há letra para a canção.

Não há queda nem ascensão, não há voo
não há ninguém para tecer esta blusa.
Cessar por ti é um livro que não entoo.
Que há uma questão sem verdade. E eu sem uma musa.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Suposto ambiente de aprendizagem...

A violência é, infelizmente, comum no quotidiano das sociedades.
Um local que presencia tal inadmissível acto é a escola. Nela convivem diferentes faixas etárias e culturais. Estas diferenças originam opiniões distintas e, consequentemente, irascíveis conflitos.
Não deveria assistir-se a outra atitude num espaço de formação?
As condutas dos docentes e não-docentes variam consoante as situações. O necessário respeito nem sempre se pratica. A impercepção da importância do local é uma das razões. É a educação adquirida que influencia o comportamento dos alunos. Professores e funcionários agridem como defesa, sabendo que é incorrecto. É indispensável promover uma afável relação dentro da comunidade escolar. Só assim é possível modelar um cidadão instruído e responsável.